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Milhas em viagens corporativas: como o mercado realmente funciona?

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Milhas em viagens corporativas

O universo das milhas em viagens corporativas é, muitas vezes, cercado de mitos. Para gestores de viagens e profissionais de compras, a dúvida é recorrente: se a empresa paga pela passagem, as milhas não deveriam pertencer a ela?

A resposta curta é que o mercado de fidelidade aérea foi construído pensando nas pessoas, e não nas empresas. No entanto, a resposta longa envolve nuances de governança, compliance, políticas internas e, claro, a compreensão de que quem dita as regras são as próprias companhias aéreas.

Entender como as milhas em viagens corporativas funcionam na prática é essencial para otimizar o controle de despesas de viagem e garantir que a empresa não esteja perdendo dinheiro — ou gerando conflitos desnecessários com seus colaboradores.

Quer saber mais sobre o uso de milhas em viagens corporativas na prática? Converse com um de nossos consultores!

Para começar, precisamos alinhar os conceitos. Embora usemos os termos como sinônimos no dia a dia, existe uma diferença técnica importante entre milhas e pontos:

  • Milhas: são as unidades de recompensa acumuladas especificamente em programas de fidelidade de companhias aéreas através de voos realizados.
  • Pontos: geralmente referem-se ao acúmulo em programas de cartões de crédito, bancos ou redes de hotéis, que podem (ou não) ser convertidos em milhas aéreas posteriormente.

Nas viagens corporativas, essa distinção é fundamental para a gestão de milhas. Quando um colaborador viaja a trabalho, ele gera milhas por trecho voado. Se ele utiliza umcartão corporativo, o uso desse cartão gera pontos.

Por que isso importa para a gestão?

O impacto para a gestão vai muito além de “quem ganha a passagem grátis”, envolvendo:

  1. Custo: milhas podem ajudar a reduzir o valor de compra das passages, mas somente podem ser usadas como benefício para quem viaja a trabalho. A empresa não pode interferir e gerir o acúmulo de pontos dos seus colaboradores, mesmo tendo desembolsado o valor da passagem.
  2. Controle e compliance: se não houver uma regra clara, o colaborador pode escolher voos mais caros apenas para pontuar em sua companhia preferida (o famoso cherry picking).
  3. Governança: a transparência sobre como a empresa enxerga os programas de fidelidade é um pilar fundamental na política de viagens, reforçando boas práticas de governança corporativa e auditoria de milhas.
  4. Retenção de talentos: para muitos executivos que viajam constantemente, as milhas são vistas como uma compensação pelo tempo longe de casa.

Como funcionam as milhas em viagens corporativas

O funcionamento do acúmulo de milhas em viagens corporativas segue a lógica dos programas de fidelidade individuais. Quando uma passagem corporativa é emitida, o sistema da companhia aérea solicita o número de fidelidade do passageiro.

Então, o processo segue as seguintes diretrizes:

  • Acúmulo: ocorre com base na distância voada ou no valor pago pela tarifa, dependendo da regra da companhia. Mesmo que o CNPJ da empresa conste na fatura, a milha é destinada à conta do CPF que está sentado na poltrona.
  • Validade: as milhas têm prazos de expiração determinados pela companhia aérea e que podem variar conforme a categoria no programa de fidelidade, variando de 2 a 5 anos, ou até sem expiração em categorias de elite.
  • Regras de uso: o titular do CPF tem total autonomia sobre o resgate, podendo usar para viagens pessoais, upgrades ou troca por produtos.
  • Transferência: a maioria dos programas permite a transferência de milhas entre pessoas ou o resgate para compra de passagem em nome de outra pessoa. Importante reforçar para as empresas que não é possível dentro dos programas de fidelidade transferir os pontos para uma conta da empresa.

Pertencimento das milhas: empresa ou colaborador?

Este é o ponto de maior atrito na gestão de viagens. De quem são as milhas? Legalmente e tecnicamente, as milhas aéreas acumuladas em voos são de direito exclusivo do CPF.

As companhias aéreas estabelecem em seus termos e condições que o programa de fidelidade é pessoal. Para elas, o benefício é visto como um incentivo para que o passageiro (o indivíduo) escolha voar com elas novamente.

Implicações para a governança e compliance

Embora a empresa pague pela conta, ela não tem o direito de “tomar” as milhas do colaborador à força. Tentar controlar as milhas do CPF do colaborador pode gerar:

  • Desafios de LGPD: para gerir milhas de terceiros, a empresa precisaria acessar dados sensíveis e contas pessoais, o que fere princípios de privacidade.
  • Impacto no clima organizacional: viagens de trabalho são exaustivas. Tirar o direito às milhas pode ser visto como uma desvalorização do esforço do colaborador.

Portanto, a política de viagem deve focar na transparência de milhas e em evitar que o desejo de acumular pontos influencie o custo da passagem para a empresa.

Tem dúvidas sobre como criar uma política de viagens corporativas que inclua o uso de milhas? Baixe agora mesmo nosso gerador de políticas de viagens e aproveite!

Pontos do cartão de crédito corporativo: por que a conversão final é sempre no CPF?

As empresas podem optar pagar todas as viagens corporativas com cartão de crédito que permitem o acúmulo de pontos, como CTA, VCN, EBTA, e também cartões corporativos na mesma linha.

Este processo normalmente é centralizado em um único cartão que, embora seja corporativo, será nominal e associado a um CPF. Assim, fica a critério de quem administra o cartão escolher converter os pontos para milhas em companhias aéreas para o portador.

No entanto, é importante ressaltar que, por mais tentador que pareça, grandes empresas dificilmente escolhem esse tipo de cartão devido a questões de controle, gestão conciliação e governança. Portanto, os cartões corporativos normalmente são mais aderentes como solução para médias empresas.

O veredito: é possível converter pontos de um CPF para um CNPJ?

Em resumo: não existe uma forma direta de converter pontos de um CPF para um CNPJ.

Os sistemas de fidelidade são ecossistemas fechados. Cada programa tem seu objetivo e suas regras, e quem define essas regras é a “dona” do programa (a companhia aérea ou o banco).

A maneira legítima de uma empresa pontuar como pessoa jurídica é através dos programas de fidelidade corporativos oferecidos pelas próprias companhias aéreas. Nestes casos, a empresa ganha pontos por empresa, enquanto o funcionário continua ganhando suas milhas no CPF. É o chamado “double dipping” (ganho duplo).

Além disso, existem também os acordos corporativos, que a partir de um volume mínimo de transações, geram descontos progressivos para benefício da empresa.

Como escolher e combinar programas de fidelidade corporativa

Já que não é possível capturar as milhas do CPF, a melhor estratégia para a gestão de viagens é aderir aos programas de fidelidade para empresas. Isso permite que a companhia acumule benefícios próprios sem entrar em conflito com o colaborador.

Entenda a seguir os cenários por tamanho de empresa e como escolher o melhor formato para o seu negócio.

Programas relevantes no Brasil: solução para médias empresas

No Brasil, três grandes companhias possuem soluções de fidelidade corporativa desenhadas principalmente para pequenas e médias empresas (PMEs):

  1. Gol VoeBiz: focado em PMEs, permite que a empresa acumule pontos a cada voo de seus colaboradores. Esses pontos podem ser trocados por passagens para qualquer pessoa da equipe. É um dos programas mais estruturados para gestão de milhas corporativas.
  2. LATAM Corporate Partner: oferece benefícios e pontuação para a empresa, além de descontos progressivos dependendo do volume de gastos.
  3. Azul Corporate: semelhante aos demais, foca em oferecer pontuação para o CNPJ e facilidades no gerenciamento das viagens.

Para médias empresas, esses programas são o melhor caminho para obter ROI de milhas e reduzir o controle de custos de viagem de forma direta.

Grandes empresas: por que acordos corporativos diretos superam os programas de milhas?

Quando passamos para o nível de grandes corporações (Enterprise), o jogo muda. O volume de gastos é tão alto que os programas de milhas padrão tornam-se pouco eficientes.

As grandes empresas negociam acordos corporativos diretos com as companhias aéreas. Assim, em vez de acumular pontos para trocar por passagens grátis daqui a seis meses, elas preferem o “dinheiro na mão” hoje, traduzido em:

  • Descontos agressivos na tarifa (Net Rates): descontos diretos no momento da compra.
  • Isenção de taxas: flexibilidade para cancelamentos e alterações sem custo.
  • Benefícios de status: upgrades automáticos para seus executivos e acesso a salas VIP.

Para essas empresas, a gestão de fornecedores de viagem foca no desconto imediato, pois o impacto no fluxo de caixa é muito superior ao valor residual das milhas.

Gestão prática: política de milhas e governança

Para evitar problemas, a empresa deve ter uma política de milhas clara dentro da sua política de viagens corporativas.

Dessa forma, confira a seguir alguns passos para uma boa governança:

  1. Defina a propriedade: deixe claro no documento que as milhas aéreas pertencem ao colaborador, mas que a escolha do voo deve seguir o critério de “menor tarifa” da empresa, independente da preferência por aliança aérea.
  2. Proíba o Cherry Picking: estabeleça que escolher um voo mais caro apenas para ganhar milhas em determinado programa é uma violação de compliance.
  3. Incentive o cadastro dos colaboradores em programas de fidelidade: algumas empresas incentivam (mas não obrigam) que colaboradores faça isso para terem benefícios ao viajar e possam usar suas milhas para upgrades em voos muito longos, melhorando o bem-estar sem custo adicional para a firma.
  4. Mantenha uma auditoria regular: utilize relatórios para identificar se há um padrão de escolha de voos por um determinado colaborador que fuja da lógica de economia da empresa.

Como equilibrar a política de milhas com a gestão e conformidade de viagens na Paytrack

A gestão deste tipo de política requer equilíbrio, organização e transparência. Para isso, nada melhor do que contar com o suporte de umaferramenta completa para gestão de despesas e viagens corporativas, como a Paytrack.

Sendo assim, a abordagem da Paytrack sobre milhas em viagens corporativas é consultiva e focada em resultados reais. 

A plataforma valoriza os dois lados, entendendo que o ganho real da empresa não vem de tentar “capturar” as milhas do CPF do funcionário — um processo burocrático, juridicamente arriscado e muitas vezes ineficiente.

O verdadeiro valor e a redução de custos vêm da eficiência operacional e do compliance. Através da nossa plataforma centralizada de self-booking e gestão, possibilitamos:

  • Controle de fraudes e desvios: o sistema garante que o colaborador escolha a tarifa dentro da política, eliminando o risco de ele priorizar milhas pessoais em detrimento do caixa da empresa.
  • Visibilidade total: com dashboards para acompanhamento em tempo real, o gestor enxerga o ROI das viagens e a economia gerada pela aplicação rigorosa da política.
  • Integração com ERP/CRM: ao proporcionar esta integração, a Paytrack facilita a gestão de despesas de viagem e a prestação de contas, garantindo que cada real gasto seja auditável.
  • Foco no que importa: resumindo, em vez de gastar horas tentando gerir saldos de milhas pulverizados, a empresa foca em negociar melhores acordos diretos e otimizar processos internos.

Ao centralizar a gestão de viagens com a Paytrack, a empresa garante conformidade, transparência e economia, deixando que as milhas cumpram seu papel original: um benefício de fidelidade para o passageiro, enquanto o lucro e a eficiência ficam com a organização.

Grandes empresas podem, ainda, se beneficiar da área de Sourcing da Paytrack, que atua como mediadora junto a companhias aéreas para negociar acordos corporativos e proporcionar os melhores descontos para as suas compras.

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