Se você atua na gestão de viagens corporativas ou acompanha o setor logístico, certamente já percebeu que o valor das passagens aéreas oscila com uma frequência quase diária. No centro dessa volatilidade está um protagonista silencioso, mas extremamente poderoso: o QAV (Querosene de Aviação).
Também conhecido como combustível de aviação, o QAV é muito mais do que apenas o insumo que faz os motores funcionarem. Ele é o principal termômetro da saúde financeira das companhias aéreas e, consequentemente, do custo final para as empresas que dependem de viagens para fechar negócios.
Neste artigo, vamos mergulhar no universo do querosene de aviação, entender como ele é regulado no Brasil e de que forma ele impacta diretamente o seu orçamento de viagens. Para se aprofundar com quem entende do assunto, preencha o formulário abaixo e converse com um de nossos especialistas!
O que é QAV e para que ele serve na aviação
O QAV, sigla para Querosene de Aviação, é um combustível derivado do petróleo, obtido através do processo de destilação fracionada. Ele é composto por uma mistura complexa de hidrocarbonetos e é projetado especificamente para uso em turbinas de aeronaves (motores a jato, turboélices e turbofans).
Diferente da gasolina comum, usada em carros, ou da gasolina de aviação (GAV), usada em aviões de pequeno porte com motores a pistão, o QAV possui propriedades físico-químicas rigorosas. Suas especificações de qualidade seguem padrões internacionais, como a norma ASTM D1655, garantindo que:
- O combustível não congele em altitudes elevadas — onde as temperaturas podem chegar a -50°C;
- E que possua uma alta densidade energética para suportar voos de longa distância.
No mercado global, o tipo mais comum de QAV é o Jet A-1. Ele é amplamente utilizado devido ao seu ponto de congelamento mais baixo e maior segurança no manuseio (ponto de fulgor mais alto), o que reduz os riscos de incêndio durante o abastecimento e a operação.
QAV e querosene de aviação são a mesma coisa?
Sim, na prática, os termos são usados como sinônimos. Quando falamos em querosene de aviação, estamos nos referindo ao produto técnico QAV. No dia a dia das operações aeroportuárias e nas notícias sobre economia, você encontrará ambas as nomenclaturas.
A distinção técnica acontece apenas quando comparamos diferentes tipos de querosene, como o Jet A (comum nos EUA) e o Jet A-1 (padrão no Brasil e no resto do mundo). Mas, para o contexto de custos e viagens, podemos dizer que tratam-se da mesma coisa.
QAV no Brasil: regulamentação, produção e normas
O mercado de combustíveis de aviação no Brasil é complexo e altamente regulado. Como o país possui dimensões continentais, a logística de distribuição de QAV é um desafio que envolve refinarias, dutos, terminais de armazenamento e caminhões-tanque até chegar às asas das aeronaves nos aeroportos.
A produção nacional de QAV é realizada majoritariamente pela Petrobras, mas o Brasil também recorre à importação de QAV para suprir a demanda interna, especialmente em momentos de alta no consumo ou paradas técnicas de refinarias.
Essa dependência do mercado externo faz com que o preço do combustível no Brasil esteja diretamente atrelado às cotações internacionais do petróleo e à variação do dólar. Por isso, a oscilação de custo desta matéria-prima é tão grande.
Regulamentação e órgãos relevantes (ANP, ANAC)
A segurança e a comercialização do combustível de avião passam pelos critérios de dois órgãos fundamentais:
- ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), que é a responsável por estabelecer as normas de qualidade QAV e as especificações técnicas que o combustível deve seguir. A ANP também monitora os preços, a produção e a importação, garantindo que o produto comercializado nos aeroportos brasileiros esteja dentro dos padrões internacionais de segurança.
- ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil) que, embora tenha como foco principal a segurança operacional das aeronaves e das empresas aéreas, também atua na regulação do setor como um todo. Ela observa como os custos de insumos impactam a viabilidade das rotas e a competitividade do mercado aéreo nacional.
Juntas, essas agências garantem que a cadeia de suprimentos de QAV opere de forma eficiente, desde a certificação de qualidade até o abastecimento final, seguindo rígidos protocolos de segurança no armazenamento.
Mercado, preços e incentivos: como o QAV afeta o custo operacional
O preço do querosene de aviação é, sem dúvida, o custo variável mais crítico para uma companhia aérea. No Brasil, o combustível chega a representar entre 35% e 40% dos custos operacionais totais das empresas de aviação. Qualquer variação no mercado de commodities reflete quase imediatamente no caixa dessas organizações.
A formação de preço do QAV no Brasil segue a lógica de paridade internacional. Isso significa que, mesmo o combustível sendo produzido aqui, seu valor é influenciado pelo preço do barril de petróleo tipo Brent e pela taxa de câmbio. Se o dólar sobe, o custo de voar no Brasil aumenta proporcionalmente.
Tributos e incentivos esperados no Brasil
A carga tributária é outro fator de peso. Atualmente, incidem sobre o combustível impostos como PIS/Cofins e o ICMS (imposto estadual). O ICMS, especificamente, é motivo de constantes debates entre governos estaduais e companhias aéreas, com muitos estados oferecendo redução de alíquota em troca do aumento do número de voos e destinos regionais.
No cenário atual, discute-se também a implementação de incentivos para o combustível de aviação sustentável (SAF). O chamado SAF blending QAV é uma tendência global para a aviação de baixo carbono, visando reduzir as emissões de carbono QAV.
O governo brasileiro tem avançado em projetos de lei, como o “Combustível do Futuro”, que visa estabelecer metas de descarbonização e incentivar a produção de bioquerosene no país. Isso pode, a longo prazo, mudar a dinâmica de preços e sustentabilidade do setor.
Por que o QAV pesa tanto no custo das companhias aéreas
Diferente de uma empresa que opera por vias terrestres e pode otimizar rotas para economizar diesel, uma aeronave tem uma margem de manobra muito menor. O consumo de combustível é altíssimo, especialmente nas fases de decolagem e subida.
Além disso, as empresas precisam lidar com a volatilidade: se o preço do petróleo sobe drasticamente em uma semana, as passagens vendidas meses atrás para voos futuros podem acabar gerando prejuízo se não houver mecanismos de proteção financeira (hedging).
Como a alta do QAV afeta o valor das passagens aéreas
A relação é direta: quando o preço do combustível de avião sobe, as companhias aéreas repassam esse custo para o consumidor final através do aumento das tarifas base ou da aplicação de taxas de combustível. Para o gestor de viagens corporativas, isso se traduz em um estouro de orçamento inesperado e na necessidade de renegociar acordos comerciais.
Quais fatores além do QAV encarecem as tarifas
Embora o QAV seja o vilão principal, outros elementos compõem o preço da passagem:
- Câmbio: a maioria das peças de reposição e o leasing das aeronaves são pagos em dólar.
- Tarifas aeroportuárias: taxas de pouso, permanência e embarque.
- Manutenção e mão de obra: as companhias têm custos fixos elevados para garantir a segurança dos voos.
- Sazonalidade e demanda: a lei da oferta e procura em períodos de alta temporada.
O impacto do QAV nas viagens corporativas e no orçamento das empresas
Para as empresas, a incerteza sobre o preço do QAV torna o planejamento financeiro um desafio constante. Viagens planejadas com antecedência podem sofrer alterações de custo, e viagens de última hora — comuns no mundo corporativo — tornam-se proibitivas em períodos de alta do petróleo.
A volatilidade do combustível exige que os gestores de viagens adotem estratégias mais inteligentes, como a análise de dados para identificar os melhores momentos de compra e o uso de ferramentas que permitam um controle rigoroso sobre os gastos.
Um exemplo disso é a ferramenta TEO (Travel & Expenses Optimizer), o agente de inteligência artificial para viagens corporativas desenvolvido pela Paytrack. Com ela, gestores de viagens têm informações centralizadas, prestação de contas automatizada e maior controle sobre os gastos das viagens em tempo real.
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Como a Paytrack ajuda a dar mais previsibilidade à gestão de viagens
Em um cenário onde o preço do querosene de aviação pode mudar o custo de uma viagem do dia para a noite, ter tecnologia de ponta é essencial. A Paytrack oferece uma plataforma completa que conecta a gestão de despesas e viagens em um só lugar.
Com a Paytrack, sua empresa ganha:
- Visibilidade em tempo real: acompanhe os gastos com passagens e identifique variações de custo imediatamente.
- Políticas de viagens automatizadas: garanta que os colaboradores escolham sempre a opção mais econômica dentro dos parâmetros permitidos, mitigando o impacto das altas de preços.
- Relatórios estratégicos: utilize dados históricos para prever orçamentos e negociar melhores tarifas com fornecedores.
- Eficiência operacional: reduza o tempo gasto em processos manuais, permitindo que o foco esteja na estratégia de redução de custos.
Entender o papel do QAV é o primeiro passo para uma gestão de viagens mais resiliente. Com o suporte da tecnologia certa, sua empresa pode navegar pelas turbulências do mercado de combustíveis com muito mais segurança e previsibilidade financeira.
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